Delegation of the European Union to the Republic of Moldova

Artigo de Opinião por Sven Kühn von Burgsdorff, Embaixador da União Europeia em Moçambique, por ocasião do Dia da Europa

Bruxelles, 10/05/2017 - 13:58, UNIQUE ID: 170510_9
Op-Eds

O dia da Europa que celebramos neste 9 de Maio tem este ano um carácter simbólico especial pois coincide com os 60 anos da assinatura dos Tratados de Roma que são os alicerces do que hoje é a União Europeia.

A reconciliação como garante do futuro

 

Por Sven Kühn von Burgsdorff

Embaixador da União Europeia em Moçambique

 

 

O dia da Europa que celebramos neste 9 de Maio tem este ano um carácter simbólico especial pois coincide com os 60 anos da assinatura dos Tratados de Roma que são os alicerces do que hoje é a União Europeia.

 

 É importante sublinhar aqui que, desde 1957, a União Europeia desfruta de paz, prosperidade e segurança. Os países europeus vivem em paz lado a lado, tendo também contribuído para um mundo mais pacífico. Tal foi possível porque, após a segunda guerra mundial se decidiu ultrapassar as diferenças e concentrar nos interesses em comum, com vista ao bem de todos. Tratou-se de uma reconciliação do pós-II guerra mundial.

 

Não há dúvidas de que todos os moçambicanos e moçambicanas querem paz, prosperidade e segurança. As declarações que ouvimos nestas últimas semanas do Senhor Presidente da República e do líder da Renamo no âmbito das negociações de paz em curso, nomeadamente com vista a um cessar-fogo por tempo indeterminado e a uma paz sustentada são desenvolvimentos essenciais e de louvar.

 

Nos meus discursos no Dia da Europa em Moçambique, nos dois anos precedentes, falei de tolerância e confiança. Falar agora de reconciliação parece-me assim a sequência natural. Uma reconciliação nacional verdadeira e genuína é a garantia da sustentabilidade de um acordo de paz. A reconciliação abarca várias dimensões: política, social, económica e interpessoal. Não se consegue atingir de um dia para o outro, é um esforço diário e aperfeiçoa-se constantemente. Mas é importante e reclamada pelas gerações de amanhã, para que possam usufruir de um Moçambique apaziguado, estável e renovado.

 

Com o objetivo de ajudar sociedades a lidar com o seu passado de forma crítica, a sair de crises profundas e evitar que tais incidentes se repitam no futuro, muitos países recorreram a mecanismos tais como as comissões de verdade e reconciliação, incluindo a África do Sul, mas também vários países da América Latina e América do Sul, e mais recentemente Timor Leste, Tunísia ou Canada.

 

Compete a Moçambique encontrar o seu modelo, a sua via de reconciliação. É um tema sobre o qual se deve refletir desde já. Moçambique merecia ser um exemplo "da arte do sucesso que é a reconciliação", como expôs Jacques Deval, autor e dramaturgo francês. Uma coisa é certa, é que este processo exigirá o apoio de todos os Moçambicanos, que se deverão nele rever.

 

Se a integração europeia tem sido um projeto de paz bem-sucedido, não há que escamotear por outro lado que a Europa está a viver tempos algo inéditos. O 60º Aniversário dos Tratados de Roma dá­‑nos a oportunidade não só de reafirmar o nosso compromisso para com os valores e objetivos em que assenta o projeto europeu, mas também de seguir em frente de forma pragmática e ambiciosa.

O que quer que seja que o futuro nos reserva, uma coisa é certa: a União Europeia continuará a colocar a promoção da paz e da segurança internacionais, a cooperação para o desenvolvimento, os direitos humanos e a resposta às crises humanitárias no cerne da sua política externa e da sua política de segurança.

Um ambiente interno com desafios e um ambiente internacional mais frágil exige maior participação, compromisso e cooperação.

No que diz respeito à União Europeia em Moçambique, vamos continuar a aprofundar a nossa pareceria e a apoiar Moçambique nos esforços cruciais com vista a uma paz duradoura, que requer uma verdadeira e genuína reconciliação nacional.

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