Delegação da União Europeia em Angola

Homenagear as forças de manutenção da paz das Nações Unidas e envolver os jovens na construção de um futuro mais pacífico

28/05/2021 - 18:43
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No Dia Internacional das Forças de Manutenção da Paz das Nações Unidas, homenageamos os inúmeros homens e mulheres, muitos deles jovens, destacados para as operações de paz das Nações Unidas em todo o mundo, dando especial relevo àqueles e àquelas que perderam a vida para preservar o nosso futuro.

International Day of UN peacekeepers, UN Youth Envoy visiting South Sudan
©UN Photos - UN Youth Envoy visiting South Sudan

 

Artigo escrito em colaboração com Ruszlan Biwoino e Franka Weckner, delegados alemães da ONU para a Juventude, e Lucija Karnelutti, delegada eslovena da ONU para a Juventude:

 

As missões e operações da UE e da ONU cooperam estreitamente no terreno, dos Balcãs a África e ao Médio Oriente – para ajudar a reforçar a segurança, fazer vingar soluções políticas e criar esperança num futuro melhor e mais pacífico. A UE e as Nações Unidas assumiram um compromisso comum para com a juventude, a paz e a segurança, considerando os jovens como agentes fundamentais de mudança, cuja motivação e energia temos de saber aproveitar melhor ao desenvolver políticas e tomar decisões. Com a COVID­‑19, tem vindo a assistir­‑se à retração do espaço cívico e, com ela, estamos a perder o tão promissor potencial dos jovens, acentuando a necessidade urgente de acelerar a execução da Agenda para a Juventude, a Paz e a Segurança.

Mais do que nunca, é importante que o poder dos jovens seja posto ao serviço da paz e da segurança. Cerca de 1,8 mil milhões de pessoas no mundo têm atualmente entre 10 e 24 anos de idade, o que representa quase um quarto da população mundial. As regiões em conflito, em particular, têm uma população predominantemente jovem e em crescimento constante e a tendência está a acentuar­‑se. Os jovens são particularmente afetados por conflitos violentos, uma vez que os princípios determinantes de estabilidade são abalados e o processo de transição para a idade adulta perturbado. A consolidação da paz exige a participação de todos os setores da sociedade, a começar pelos jovens. No entanto, os jovens continuam a ser com demasiada frequência alvo de estereótipos, sendo por vezes vistos como rebeldes ou criminosos, e não como agentes da paz. Temos de inverter a situação para que passem a ser considerados como parte da solução, e não do problema.

Trabalhar com os jovens, apoiar parcerias e redes e investir na juventude são elementos fundamentais para garantir que os jovens possam desempenhar eficazmente o seu papel de agentes de uma mudança que tem por objetivo prevenir conflitos e construir e manter a paz. Atendendo a que, muitas vezes, as perspetivas trazidas pelos jovens não têm eco suficiente, os conhecimentos específicos que possuem devem ser reconhecidos, o que permitirá envolvê­‑los na construção do seu futuro. Há exemplos vindos da Colômbia, do Afeganistão, do Paquistão e da Líbia de jovens que se mobilizam contra a violência, lutando pelos seus direitos e pelo fim pacífico e sustentável dos conflitos. Além disso, as investigações realizadas mostram que uma inclusão mais alargada tem impacto positivo na sustentabilidade dos acordos de paz, contribuindo para que sejam mais democráticos e impliquem maior responsabilização. Assim sendo, devemos questionar de forma mais sistemática a inclusividade dos processos políticos e de paz e formular por antecipação recomendações destinadas a incluir os jovens e a conferir­‑lhes poder.

A UE apoiou desde o início a Agenda para a Juventude, a Paz e a Segurança e, em 2020, adotou conclusões do Conselho sobre os jovens e a ação externa com o propósito de trabalhar com os jovens e lhes dar voz. Queremos alargar o espaço de participação expressiva dos jovens, reforçar sistematicamente os mecanismos de diálogo com a juventude e garantir que a sua voz seja não só ouvida, mas também verdadeiramente escutada. Uma vez que, ao definirem um novo conjunto de prioridades de cooperação para 2022­‑2024, a UE e a ONU confirmam a importância da nossa longa parceria no domínio da manutenção da paz e da gestão de crises, é provável que o papel dos jovens seja reforçado, tanto no âmbito das nossas próprias missões e operações, como no do trabalho que desenvolvemos com os nossos parceiros e países de acolhimento para exercermos efetivamente os mandatos que nos foram confiados.

Há experiências muito positivas de que poderemos tirar partido, como a Plataforma UA­‑UE para a Juventude (ligação externa) lançada em 2018 pela UE, juntamente com a União Africana. Graças à Plataforma, 50 jovens peritos participaram no desenvolvimento de projetos­‑piloto inovadores que estão agora a ser levados a cabo por organizações da sociedade civil e centenas de jovens de acordo com um modelo de governação verdadeiramente único e inovador. Um dos projetos­‑piloto centra­‑se na bacia do lago Chade e conta com a participação de jovens locais no planeamento e acompanhamento de projetos de estabilização através de uma plataforma de cartografia em linha bastante convivial.

Outra faceta importante deste trabalho consiste em criar parcerias para a juventude e redes da sociedade civil que, sendo transversais às diversas comunidades, transponham fronteiras. A iniciativa "Young Mediterranean Voices" ("Vozes de Jovens do Mediterrâneo") (ligação externa), apoiada pela UE, ajudou a sociedade civil, os estabelecimentos de ensino e os decisores políticos a estabelecerem ligações em toda a região euro‑mediterrânica e a desenvolverem competências essenciais para reforçar a sua participação ativa no planeamento do seu futuro. Só no ano passado, mais de 4 400 jovens (quase 60 % dos quais mulheres) oriundos de 75 cidades de oito países da região foram reconhecidos como aptos a participar nos debates.

Temos de continuar a investir na participação dos jovens e a promover o papel por ela desempenhado, em toda a sua diversidade, nos esforços de paz e segurança. Os jovens têm de ser envolvidos no processo de decisão, ser tratados como parceiros em pé de igualdade com os outros e dispor de instrumentos que lhes permitam desenvolver as suas potencialidades. Tal dar­‑nos­‑á uma hipótese suplementar de resolver os conflitos mais prementes e, em última análise, de os prevenir e construir uma paz duradoura. Importa mostrar que os jovens podem ser agentes de mudança e contribuir de forma decisiva para a paz, a sustentabilidade e a democracia.

 

youth, peace and security