Delegação da União Europeia em Angola

O género em análise

07/03/2019 - 08:41
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<p>Diversas organizações que atuam na área dos direitos da mulher, em várias províncias do país, reuniram-se para debater sobre os desafios ligados à promoção do género no âmbito os seus projectos. A iniciativa ocorreu na Delegação da União Europeia sob a liderança do Mosaiko- Instituto para a Cidadania.</p>

Grupos de trabalho género

Os grupos de trabalho partilharam as suas reflexões e recomendações para uma melhor atuação em prol da mulher, com base nas lições aprendidas nos projectos que implementam.

Uma das primeiras considerações foi realçar que o género não pode ser considerado como um assunto isolado, separado das outras questões sociais, colocado numa "gaveta" para ser tratado em circunstâncias específicas. Pelo contrário, para ter um impacto real, o tema deve ser abordado de forma abrangente, numa reflexão que reúna homens e mulheres.

Por outro lado, convém prestar maior atenção aos indicadores de inclusão das mulheres em determinados sectores. A participação feminina não pode ser avaliada apenas em termos quantitativos, mas deve ter um critério qualitativo como a análise do tipo de papel que as mulheres ocupam nas organizações (liderança, execução…), do espaço de expressão que lhes é atribuído, etc. Neste sentido, a medição do progresso social nas questões de género deve ser baseada nas práticas e não apenas nas evoluções jurídicas.

Os participantes relembraram que o empoderamento da mulher passa por dois processos paralelos. As mulheres devem ter as mesmas oportunidades de acesso à formação, emprego, liderança, etc. que os homens, mas esta conquista deve ser acompanhada por uma maior ocupação pelos homens dos papéis e lugares tradicionalmente reservados às mulheres, nomeadamente na esfera doméstica. Em outras palavras, a reciprocidade é uma condição da equidade.

Por fim, esta reflexão permitiu apontar uma contradição dos projectos de promoção do género, que no entanto pode ser usada de forma construtiva. As igrejas e as autoridades tradicionais, embora tenham como referência uma cultura essencialmente patriarcal, colaboram estreitamente com organizações da Sociedade Civil em muitos dos projectos sobre o género. Estes actores podem tornar-se, também, agentes da mudança.

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